Manifesto Ovino

.fotografias queimadas por brinquedos de idosas crianças nas aguadas grades dos assentos bancários cromadas solidões que avistam o fogo e as rochas que dissolvem vermelhos deuses gordos outrora defenestrados do Olimpo sangue corrente na calçada calçado caçado por aborígines consumistas comunistas onde buscam alimentos para seus rebentos arrebentados rebeldes nos louros láureos da derrota marrom e do veludo cheirador de pó da multidão que escarra as ordens e aceita de cabaça no grão as vitrines dolorosas insuportáveis diluídas por coca cola cocada e colada das mentes revolucionárias de presidentes municipais que cuecas adentro aplicam nossas reservas ambientais onde a corrupção não é brasileira, mas sim universal. O que temos é a falta de atitude, falta de caras pretas, quiçá, jovens de molotovs em punho. Talvez assim a corrupção possa diminuir e, enfim, daqui a algum tempo, possamos nos orgulhar de vivermos em um país menos devastado por lareiras douradas e fumegantes de verdes ovelhas voadoras que cortam o céu da província indígena no entardecer cinza estomacal cancerígeno cauterizante da carne rasgada a machadadas algodão negro e vazio esfoliante de rostos produzidos em úteros industriais de cidades de marfim voadoras inacessíveis à plebe trabalhadora que grita no azul e financia sogras viajantes em públicos jatos lunares brilhantes sacerdotes assassinos do sonho infantil cultivado no íntimo popular estériL

Um comentário:

Graziela Palmieri disse...

Tive o prazer de ser uma das primeiras pessoas a ler (eu acho), o que é um grande privilégio pela qualidade do texo. Esquece as vezes que eu disse que tu vai ser um grande escritor. Não sei se vale tanto minha opinião sendo a mesma do Ricardo Barbarena, mas digo com todas as letras que tu é um grande escritor.