Ônibus Perdido

olhos vermelhos lacrimejantes pelo ônibus que passou táxi perdido atordoado tardio tortuoso copo de água que passarinho quer beber mas os símios não deixam o lenço branco azarar solitário solstício festejado não por ele pois as vísceras do cordeiro estão sobre o altar revelando o futuro que só os cegos veem e vão ao encontro do vão vem ao encontro da van que vai e o deixa aqui caminhão sem freio vai e vai pois volta não há fadada pazadas pesadas de terra molhada ecoa no colchão vermes olhem este homem deitado ao lado da mulher que não está. Não está mais com ele, não está mais ali, não está mais. Um dia esteve com varizes vertigem garagem sacanagem libertinagem depravada gozou escarrou sorriu com a gamela arreganhada onde o caldo da carne a tesouradas escorrem e algemas resolvem no úmido triângulo retângulo onde só a hipotenusa e os catetos fazem companhia aos olhos vermelhos lacrimejantes pelo ônibus que passou

Oubliance

Há mais esquecimento em um texto do que lembranças.

Medalha de Prata

A maior vantagem do cinema sobre a literatura é a pipoca amanteigada.

Manifesto Ovino

.fotografias queimadas por brinquedos de idosas crianças nas aguadas grades dos assentos bancários cromadas solidões que avistam o fogo e as rochas que dissolvem vermelhos deuses gordos outrora defenestrados do Olimpo sangue corrente na calçada calçado caçado por aborígines consumistas comunistas onde buscam alimentos para seus rebentos arrebentados rebeldes nos louros láureos da derrota marrom e do veludo cheirador de pó da multidão que escarra as ordens e aceita de cabaça no grão as vitrines dolorosas insuportáveis diluídas por coca cola cocada e colada das mentes revolucionárias de presidentes municipais que cuecas adentro aplicam nossas reservas ambientais onde a corrupção não é brasileira, mas sim universal. O que temos é a falta de atitude, falta de caras pretas, quiçá, jovens de molotovs em punho. Talvez assim a corrupção possa diminuir e, enfim, daqui a algum tempo, possamos nos orgulhar de vivermos em um país menos devastado por lareiras douradas e fumegantes de verdes ovelhas voadoras que cortam o céu da província indígena no entardecer cinza estomacal cancerígeno cauterizante da carne rasgada a machadadas algodão negro e vazio esfoliante de rostos produzidos em úteros industriais de cidades de marfim voadoras inacessíveis à plebe trabalhadora que grita no azul e financia sogras viajantes em públicos jatos lunares brilhantes sacerdotes assassinos do sonho infantil cultivado no íntimo popular estériL