Dois Corpos, Uma Alma

A família dele acha que se divorciaram. Os amigos dela nunca mais os viram juntos. Pra falar a verdade, nunca mais viram ela. Ela não ama mais ele. Ele a ama loucamente. Cego pelo amor, não nota a frieza dela. Ela permanece enclausurada o dia todo. Não sai nem para fazer as unhas ou ir as compras. Ele trabalha até o meio da tarde. Chegando em casa sempre a encontra na cama. Na mesma posição. Olhos fechados, com aquela pele branquinha e o rosto sereno.

Ele leva a vida normalmente. Acorda cedo. Prepara o próprio café. Garante o sustento da casa vendendo automóveis. Visita seus pais nos finais de semana, sempre sozinho. Não fala nada sobre a esposa, o que desencoraja perguntas indiscretas.

Sexo não a agrada mais, nem um pouco. Faz por obrigação. Ele sempre a beija com a afobação de um adolescente. Peitos pequenos e rígidos. Buceta sempre apertadinha. Seca demais, mas sempre apertadinha. Nada que lubrificantes artificiais não resolvam, pensa ele. Ela nunca reage a seus carinhos. Prefere ficar de olhos fechados. Com aquela pele branquinha e o rosto sereno.

Um comentário:

Graziela Palmieri disse...

Te puxou no título né?! Por isso que tu sempre vai dar nomes aos meus contos. Bjão